quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Protejam o Darfur

Olá! Hoje partilho contigo um projecto que se intitula - "Protejam o DArfur".
Este projecto tenta divulgar o drama que se vive nessa região de África e formas de ajudar as pessoas que sofrem nessa região com o conflito que aí existe.

Parte I

Enquadramento



«O Sudão é o maior país de África e uma antiga colónia britânica que sofreu, desde praticamente a independência, uma guerra entre o norte (maioritariamente árabe e que tem vindo a ser governado por partidos que assentam a sua autoridade no crescente fundamentalismo religioso) e o sul (de população maioritariamente africana e um longo passado de exploração pelo norte relacionada com o comércio de escravos). Os acordos de paz assinados a 9 de Janeiro de 2005, em Naivasha - Quénia, deixaram em aberto a independência do sul, a decidir por referendo em 2011.

Sobre o Darfur

Darfur é uma região do tamanho da França, situada no oeste do Sudão, que antes da colonização inglesa era independente de Cartum.


Durante a guerra entre o norte e o sul, o exército de Cartum (norte) utilizou os jovens do Darfur como manancial de soldados africanos utilizados para combater os grupos armados do sul (muitas vezes através do rapto de crianças e jovens nas aldeias), mas a região foi relativamente poupada pela guerra e assistia até há pouco tempo a uma coexistência pacífica entre os pastores nómadas árabes e a população de etnia africana.

O genocídio

Desde 2003 que a população de etnia africana de Darfur sofre razias e morticídios que fazem parte de uma estratégia promovida pelo governo de Cartum com o apoio militar de países como a Arábia Saudita e a Líbia, apostados em impor a Charia e arabizar todo o norte do Sudão. Uma campanha de fomento do ódio étnico e racial, armando as populações de pastores árabes (politicamente mais fáceis de controlar e manipular por Cartum) e financiando as razias às populações africanas vitimou quase meio milhão de civis (!).

Ante os olhos passivos da comunidade internacional, o Governo de Cartum continua a patrocinar uma radical operação de limpeza étnica. Estima-se em mais de 3.000 o número de ataques a comunidades e aldeias destas milícias armadas e mantidas pelo governo (a uma média de cerca de 60 ataques por mês!). Todos os dias perdem a vida centenas de pessoas!

Observações.: Quer a população árabe, quer a africana falam o árabe e professam maioritariamente o islamismo.

Deixo aqui dois vídeos para melhor perceber a realidade de Darfur:

Nota: Este vídeo devido aos seus conteúdos não é adequado a crianças e pessoas sensíveis.



Darfur: o drama humano esquecido



Em apenas quatro anos, morreram no Darfur, vítimas da guerra, da fome ou da doença pelo menos 200 mil pessoas - os piores prognósticos apontam para 400 mil - na sua larga maioria civis indefesos.

Calcula-se que pelo menos 2,3 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deixar as suas casas e a procurar refúgio em campos onde estão totalmente dependentes das organizações humanitárias. Todos os dias morrem pessoas, a maior parte crianças, de todas as mais vulneráveis.

Apesar do Tribunal Penal Internacional ter declarado a existência de práticas de Crimes de Guerra e Crimes contra a Humanidade e da ONU ter reconhecido a existência de indícios de um Genocídio, a tragédia da província sudanesa do Darfur arrasta-se desde Fevereiro de 2003, debaixo dos olhos de uma comunidade internacional pouco consequente.

Os ataques às populações sucedem-se em redor dos próprios campos onde se concentram as populações deslocadas, não sendo garantida a sua segurança. As organizações de ajuda humanitária tem sido também alvos frequentes das milícias, que procuram paralisar a sua actuação, agravando ainda mais a situação de extrema debilidade de milhões de pessoas refugiadas.

Entretanto o sofrimento causado pelo conflito já ultrapassou as fronteiras do Sudão, com milhares de refugiados a fugirem para o Chade (gerando por sua vez um número de deslocados internos que ascende já a 200 mil) e para a República Centro-Africana, aonde continuam a ser perseguidos pelas milícias Janjauid.

A situação actual

A decisão da comunidade internacional do envio de uma força híbrida de Paz da ONU e da União Africana (UNAMID) para a região, tomada no passado dia 31 de Julho, muito embora tardia, vem finalmente trazer alguma esperança a estas populações.

A pressão da sociedade civil parece ser agora fundamental para conseguir a pronta articulação internacional e a mobilização dos meios humanos e materiais necessários ao rápido estabelecimento de um contigente que garanta a segurança na região.

Sabe-se que as milícias continuam a atacar e que cada dia de adiamento corresponde a muitas vidas que se perdem.

Como ajudar:

1. Reconstruir a Esperança

A população de Darfur precisa de ajuda urgente. É tempo de evitar mais perdas humanas devido à fome e às doenças causadas pela pobreza extrema e abandono que enfrentam muitos deslocados.
A UNICEF lançou um apelo e afirma que o enorme desafio de garantir a assistência necessária a mais de 3 milhões de deslocados, na sua maioria crianças, não pode ser ultrapassado só com as ajudas dos governos.
Há portugueses a trabalhar no terreno que arriscam a sua vida por solidariedade com os mais pobres e contam também com a sua solidariedade. A Campanha porDarfur quer apoiar, com a sua ajuda, os seguintes projectos concretos:

- Uma escola para Nyala
- Manter as escolas abertas.

2. Colaborar na sensibilização

A população de Darfur está a um passo de recuperar a segurança mas Força de Paz da ONU continuam sem os meios necessários para exercer convenientemente o seu mandato de protecção. É urgente que os governos apoiem esta missão destinada a parar o genocídio e salvar muitas vidas em Darfur. Dê a sua voz porDarfur, aderindo a uma ou várias das iniciativas abaixo propostas.

...Pode escrever uma carta a solicitar um maior compromisso de Portugal, a quem nos representa nas ONU, pela questão da defesa do Povo de Darfur e a renovação do nosso apoio às Forças de Paz. Sublinhe que está consciente da capacidade dos portugueses mobilizarem solidariedades internacionais, como já demonstrámos aquando da questão de Timor-Leste (e atendendo às relações próximas de Portugal com muitas nações).

...participar na "Campanha 24 Horas" (24 Hours) que enviará o seu alerta ou protesto (sob a forma de um vídeo) aos principais decisores e responsáveis mundiais.

...(NOVA): Escrever aos responsáveis da NATO a sensibilizar para a cedência dos meios aéreos urgentemente necessários para que a missão das Forças de Paz em Darfur (ver informação relacionada). Pelo correio (Allied Joint Command Lisbon; Estrada da Medrosa, 2780-070 Oeiras, Portugal) ou por e-mail: pao@jhlb.nato.int.

... aderir às campanhas e petições da coligação de organizações Save Darfur (em actualização permanente).

Campanhas que já se fizeram e que que foram bem sucedidas:

. Ainda não conhecemos o resultado de nenhum estudo sobre o assunto , mas tudo indica que as iniciativas dos portugueses dinamizadas pela Campanha porDarfur terão conseguido influenciar a "Cimeira Europa-África" (organizada pela Presidência Portuguesa da UE) e projectar alguma da atenção necessária para o drama do Darfur.

. A Cimeira contribuiu com mais apoios para a operação da EUFOR (forças militares europeias na zona de fronteira no vizinho Chade aonde se concentram milhões de pessoas em campos de refugiados também sujeitos aos ataques das milícias pró-governo sudanês) e "forçou" o presidente sudanês ao diálogo com os responsáveis europeus sobre a questão da não aceitação pelo Sudão do reforço dos polícias e militares da ONU para a protecção dos muitos campos de refugiados neste que é o maior país africano.

. A Avaaz lançou uma campanha de comunicação na região, publicando anúncios nos principais jornais, denunciando a política de terror do governo sudanês e pedindo que os governantes destes países ajudem Darfur e apoiem o TPI. A campanha em questão conseguiu reunir todos os apoios necessários!
A reacção do governo sudanês à iniciativa foi oferecer prémios e dinheiro para que os editores dos jornais que não publicassem os anúncios (o que em alguns casos conseguiu) mas a Campanha terá ainda assim contribuído também para que o governo sudanês encetasse um novo período de tréguas militares e negociações (entretanto terminado).

Para poderes ajudar monetariamente algumas das iniciativas que apresenti em cima, visita o site: http://www.pordarfur.org (entra no site e vai ao iten como ajudar e entra no projecto, como reconstruir a esperança).

1 comentário:

Florinda disse...

Olá Vitor!
Sou eu de novo a Florinda, dona do blog: http://cantinhodaflorinda.blog.simplesnet.pt/ .
Ao ver esse video senti-me muito mesquinha e sem nenhum sentido... fiquei... nem sei como explicar, fico a perguntar-me "Como pode ser possível isso estar acontecer :(" e a crianças meu Deus... eu se não fosse deficiente motora adotaria uma criança se não fosse possível a ter, adotaria uma ou mais... nem sei mais o que dizer nem pensar, somente senti-me egoista porque por vezes fico triste porque a solidão invade por vezes meu coração, mas vendo esse video sinto-me mesquinha e egoista sei lá... o que é a solidão para o que essas pessoas andam a sofrer :( não à palavras mesmo.
Olha Vitor somente hoje fui ao e-mail da simplesnet, mas eu mal uso-o, o que uso no msn e para receber e-mail pessoais é esse indaflor_8@sapo.pt beijinhos e é melhor acabar por aqui o comentário porque está a ficar enorme.
Vá fica bem e desculpa se fui chata.