sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Manoel de Oliveira - 100 anos

Olá! Só agora me é possível actualizar o blog, pois nesta semana tive um pouco ocupado, com uma frequência a História da Animação Sociocultural, (quinta feira) e diversas actividades na Biblioteca Municipal de Chaves, (local onde trabalho).



Para começar fica aqui um destaque, para o aniversário de Manoel de Oliveira, mais do que um realiador português de filmes, é uma grande personalidade portuguesas que já fez e contínua a fazer diversos filmes em Portugal e que recewbe diversos elogios em todo o mundo, não só pela qualidade dos seus filmes, mas também singularidade que é Manoel de Oliveira, que é o único realizador, que com 100 anos, contínua no activo.

Mas afinal, quem é Manoel de Oliveira? O que é que faz desta personalidade diferente de muitas outras em Portugal e no mundo?

Para melhor te responder a estas questões, deixo-te de seguinda um pouco da sua biografia e do seu percursso no cinema.

Manoel de Oliveira é originário de uma família da média-alta burguesia, com antepassados fidalgos,[3] facto que muito influenciaria o teor e as temáticas da sua futura obra cinematográfica. O seu pai, Francisco José de Oliveira, foi o primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal. Estudou no colégio de jesuítas de A Guarda (Galiza). Na juventude dedicou-se ao atletismo e, mais tarde, ao automobilismo e à vida boémia. Aos vinte anos ingressou na escola de actores de Rino Lupo, cineasta italiano radicado no Porto, um dos pioneiros do cinema português de ficção.

Quando viu o documentário vanguardista Berlim, Sinfonia de uma Cidade de Walther Ruttmann, ficou muito impressionado e decidiu fazer um filme inspirado naquele sobre a cidade do Porto, um documentário de curta metragem sobre a actividade fluvial na Ribeira do Douro: Douro, Faina Fluvial (1931). O filme suscitou a admiração da crítica estrangeira e o desagrado do público nacional. Seria o primeiro documentário de muitos que abordariam, de um ponto de vista etnográfico, o tema da vida marítima da costa de Portugal: o Douro (Oliveira), a Nazaré (Nazaré, Praia de Pescadores, Leitão de Barros), o Algarve (Almadraba Atuneira, António Campos), o Tejo (Avieiros, Ricardo Costa).

Adquiriu entretanto alguma formação técnica nos estúdios alemães da Kodak e, mantendo o gosto pela representação, participou como actor no segundo filme sonoro português, A Canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo. Só mais tarde, em 1942, se aventuraria na ficção como realizador: Aniki-Bobó, um enternecedor retrato da infância no cru ambiente neo-realista da Ribeira do Porto. O filme foi um fracasso comercial e só com o tempo iria dar que falar. Oliveira decidiu, talvez por isso, abandonar outros projectos de filmes e envolveu-se nos negócios da família. Não perdeu porém a paixão pelo cinema e em 1956 voltou, com O Pintor e a Cidade.

Em 1963, O Acto da Primavera (segunda docuficção portuguesa) marcou uma nova fase do seu percurso. Com este filme, praticamente ao mesmo tempo que António Campos, iniciou Oliveira em Portugal, a prática da antropologia visual no cinema. Prática essa que seria amplamente explorada por cineastas como João César Monteiro, na ficção, como António Reis, Ricardo Costa e Pedro Costa, no documentário. O Acto da Primavera e A Caça são obras marcantes na carreira de Manoel de Oliveira. O primeiro filme é representativo enquanto incursão no documentário, trabalhado com técnicas de encenação, o segundo como ficção pura em que a encenação não se esquiva ao gosto do documentário.

A obra cinematográfica de Manoel de Oliveira, até então interrompida por pausas e projectos não-realizados, só a partir da sua futura longa metragem (O Passado e o Presente - 1971) prosseguiria sem quebras nem sobressaltos, por uns trinta anos, até ao final do século. A teatralidade imanente de O Acto da Primavera, contaminando esta sua segunda ficção, afirmar-se-ia como estilo pessoal, como forma de expressão que Oliveira achou por bem explorar nos seus filmes seguintes, apoiado por reflexões teóricas de amigos e conhecidos comentadores.

A tetralogia dos amores frustrados seria o palco por excelência de toda essa longa experimentação. O palco seria o plateau, em que o filme falado, em «indizíveis» tiradas teatrais, se tornariam a alma de um cinema puro só por ter o teatro como referência, como origem e fundamento. Eram assim ditos os amores, ditos eram os seus motivos e ditos ficaram os argumentos de quem nisso viu toda a originalidade do mestre invicto: dito e escrito, com muito peso, sem nenhuma emoção, mas sempre com muito sentimento.

Manoel de Oliveira insiste em dizer que só cria filmes pelo gozo de os fazer, independente da reacção dos críticos. Apesar dos múltiplos condecorações em festivais tais como o Festival de Cannes, Festival de Veneza, Festival de Montreal e outros bem conhecidos, leva uma vida retirada e longe das luzes da ribalta.

Os seus actores preferidos que entram regularmente nos seus filmes são Luís Miguel Cintra, Leonor Silveira e Diogo Dória.

Prémios recebidos:
É professor honorário da Academia de Cinema de Skopje
Recebeu em 2008 o Prémio Mundial do Humanismo
Em 2008, Manoel de Oliveira foi Doutorado honoris causa pela Universidade do Algarve.[4]
Agraciado com a GCSE pelo Presidente de Portugal.
Tem recebido várias distinções, tais como:
Canes,
Veneza
Festival de Montréal
Leão de Ouro em 1985 e 2004
Palma de Ouro em 2008.

Filmes e curtas metragens:

2009 - Singularidades de uma Rapariga Loura (em rodagem)
2007 - Cristóvão Colombo – O Enigma
2006 - Belle Toujours
2005 - Espelho Mágico
2004 - O Quinto Império - Ontem Como Hoje
2003 - Um Filme Falado
2002 - O Princípio da Incerteza
2001 - Vou para Casa
2000 - Palavra e Utopia
1999 - A Carta
1998 - Inquietude
1997 - Viagem ao Princípio do Mundo
1996 - Party
1995 - O Convento
1994 - A Caixa
1993 - Vale Abraão
1992 - O Dia do Desespero
1991 - A Divina Comédia
1990 - Non, ou a Vã Glória de Mandar
1988 - Os Canibais
1986 - O Meu Caso
1985 - Le Soulier de Satin
1981 - Francisca
1979 - Amor de Perdição (filme)
1974 - Benilde ou a Virgem Mãe
1972 - O Passado e o Presente
1963 - Acto da Primavera (docuficção)
1942 - Aniki-Bobó

Curtas e médias metragens:
2001 - Porto da Minha Infância
1985 - Simpósio Internacional de Escultura em Pedra - Porto
1983 - Lisboa Cultural
1983 - Nice - a propos de Jean Vigo
1982 - Visita ou Memórias e Confissões
1966 - O Pão (documentário)
1965 - As Pinturas do meu irmão Júlio (documentário)
1964 - A Caça
1956 - O Pintor e a Cidade
1941 - Famalicão (filme)
1938 - Já se Fabricam Automóveis em Portugal
1938 - Miramar, Praia das Rosas
1932 - Estátuas de Lisboa
1931 - Douro, Faina Fluvial
Como actor

1994 - Lisbon Story, de Wim Wenders
1980 - Conversa Acabada, de João Botelho
1933 - A Canção de Lisboa, de Cotinelli Telmo
1928 - Fátima Milagrosa, de Rino Lupo
Como supervisor

1970 - Sever do Vouga... Uma Experiência, de Paulo Rocha
1966 - A Propósito da Inauguração de Uma Estátua - Porto 1100 Anos, de Artur Moura, Albino Baganha e António Lopes Fernandes.

Documentários:
1937 - Os Últimos Temporais: Cheias do Tejo (documentário)
1958 - O Coração (documentary, 1958)
1964 - Villa Verdinho: Uma Aldeia Transmontana (documentário)
1987 - Mon Cas (1987)
1987 - A Propósito da Bandeira Nacional (1987)
2002 - Momento (2002)
2005 - Do Visível ao Invisível (2005)
2006 - O Improvável não é Impossível (2006)

Espero que com esta pequena síntese sobre Manoel de Oliveira, (biografia e percursso cinematográfico) possam perceber melhor a importãncia deste português, que apesar de ter 100 belos anos, contínua a fazer o que mais gosta, ser realizador de filmes, projectando os filmes que ele quer e gosta.

Lembro que a RTP, (canal 1 e 2 emitiram diversos programas e filmes do realizador, durantes esta semana, lembrando o valor e estima que Potugal tem por esta personalidade.

P.S.: Amanhã - sábado, Manoel de Oliveira, vai ser condecorado pelo Presidente da República, com a Ordem de Mérito do Infante.
Para mim esta é mais uma das condecorações que ele merece e muito, pelo que ele tem feito pelo cinema e cultura portuguesa, que com poucos apoios consegue fazer grandes filmes.



Esta imagem foi no Festival de Cannes. Na imagem pode-se ver Manoel de Oliveira, acompanhado pela esposa, Durão Barroso e sua esposa e ainda outro senhor, que não de momento quem é.

Sem comentários: