quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Leituras...Um homem com sorte



Destaco agora mais uma sugestão de leitura, com este belo livro: Um homem com sorte de Nicholas Sparks.
Este autor para mim, é um dos melhores da actualidade. Pois em cada livro que publica, transmite uma mensagem, valores, além de serem genuinas...

Deixo aqui uma síntese desta obra seguida da entrevista que se encontra no site da editora Presença, (editora que publica os seus livros em Portugal).

Síntese:
Durante a maior parte da sua vida, Logan Thibault foi um homem que em tudo se podia considerar comum. Porém, nada de comum havia naquilo que estava prestes a acontecer-lhe. Quando encontra uma fotografia de uma mulher nas areias do deserto do Iraque, Logan Thibault passa, inexplicavelmente, a ser um homem com a sorte do seu lado, que sobrevive a situações de indescritível perigo. A fotografia começa a ser encarada como um talismã e, de regresso aos EUA, Thibault não consegue deixar de pensar na mulher que lhe salvou a vida. Mas, assim que a encontra, o segredo que transporta consigo poderá custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido. Nicholas Sparks traz-nos uma sublime história sobre a força avassaladora do destino que se sobrepõe a tudo e dá sentido até aos momentos mais inexplicáveis da vida.

Entrevista a Nicholas Sparks em Portugal
14 de Novembro de 2008




Nicholas Sparks. Com mais de um milhão de livros vendidos em Portugal, o escritor norte-americano esteve esta semana em Lisboa para apresentar o seu novo romance e falar da adaptação de outro ao cinema. Ao DN revelou como consegue conjugar a escrita com a família, mas também que não votou nem no futuro Presidente dos EUA, Barack Obama, nem em John McCain.

A maioria dos seus livros baseiam-se em pessoas ou factos reais. Isso também acontece em Um Homem com Sorte?
Não, ao contrário dos meus outros romances, este é acima de tudo ficção. Contudo, há elementos que, como é óbvio, tiro da minha vida pessoal. Se há algo que posso dizer que não é ficção é o cão, o pastor alemão. No livro chama-se Zeus; na realidade é o meu cão Rex. A mesma personalidade, a mesma maneira de treinar, igualzinho.

A história parte da superstição de que uma fotografia é o que mantém um homem vivo durante a guerra. É supersticioso?
Não, não sou, pelo menos não no mesmo sentido. Há dois tipos de sorte. Se olhar para a minha carreira posso dizer que fui muito sortudo, mas o meu primeiro livro era bom e eu trabalhei muito para o promover, por isso esforcei-me para ter essa sorte. Depois há claro a sorte ao acaso, como quando ganhamos a lotaria. No livro, se Logan acredita que aquele é o seu amuleto, talvez tome decisões diferentes do normal. E estas decisões acabaram por mantê-lo a salvo. Nem ele próprio acredita que é um amuleto. É do género: eu não acredito, mas...

E tem algum amuleto?
Sou católico e quando viajo ando sempre com uma medalha de São Cristóvão. É uma espécie de talismã, para me manter seguro. Todos os meus filhos também têm uma medalha igual.

Não é a primeira vez que a sua personagem principal é um soldado, que lutou no Iraque. Porquê? A guerra é algo que o preocupa?
A guerra é um excelente pano de fundo para qualquer romance. Basta olhar para E tudo o vento levou, Adeus às Armas ou Casablanca... Além disso, eu vivo na Carolina do Norte, que é uma região onde há muitas bases militares. Quando escrevi Juntos ao Luar, em que o protagonista é um soldado, fui a uma sessão de autógrafos em Camp Lejeune, onde há 30 mil marines. E acho que a segunda pessoa na fila me disse: "E os marines?" Fiquei a pensar e acabei por escrever Um Homem com Sorte. Noutra sessão de autógrafos, outro militar disse-me: "Estou na marinha." Por isso acho que agora tenho que passar por todos os ramos do Exército...

O seu filho mais velho tem 17 anos. O que lhe diria se ele quisesse alistar-se?
Se fosse aquilo que ele queria fazer, então não havia problemas. Mas ele quer ir para a universidade, por isso, para ele não é uma opção. A verdade é que houve mais marines que morreram depois de regressar a casa, em acidentes de carro, do que os que morreram no Iraque. São três mil, o que é muito, mas estamos lá há seis anos. É menos do que pensamos, se considerarmos quantas pessoas lá estiveram. É perigoso, mas é mais perigoso para os civis iraquianos.

O que vem primeiro: personagens ou história?
A história. Depois encontramos as melhores personagens para contar a história.

Então não mantém personagens guardadas à espera da melhor história para elas...
Às vezes, mas as personagens começam por ser um processo de eliminação. Se temos um soldado que volta do Iraque ele não pode ter 60 anos, tem que estar na casa dos 20 ou 30. Depois, vemos se é uma personagem alegre ou calada. E assim sucessivamente. Temos que escolher qual é a melhor maneira de contar a história. E achei que o Logan era uma excelente personagem neste caso.

Os seus livros são sempre passados na Carolina do Norte. Isso atrai os turistas à região?
Sim! Eles fazem inquéritos sobre o que leva determinada pessoa a ir a certo local. Acho que estou em segundo lugar na lista... Em muitas das cidades os turistas têm que escolher entre "pesca", "locais históricos" ou "romances de Nicholas Sparks"...

Hoje basta pôr o seu nome na capa de um livro para saber que vai vender milhares de cópias. Isso torna a escrita mais fácil ou mais difícil?
Para mim torna-a mais desafiante. Porque tento sempre escrever um livro melhor do que o anterior. E é muito difícil ser original. Como é que posso continuar a pegar numa premissa muito simples e transformá-la em algo novo? A maioria dos autores não tenta ser original e isso irrita-me. Se há um escritor com muito sucesso é porque, normalmente, caiu numa de duas categorias: ou está a escrever o mesmo livro vezes sem conta ou escreve o que quer sem pensar se é uma boa história. Eu tento não cair em nenhuma das duas categorias.

Mas há coisas que não mudam nos seus livros...
Sim, sabemos que vai haver sempre algo familiar: vai ser uma história de amor, que se passa numa pequena cidade da Carolina do Norte e vamos gostar dos protagonistas. Mas os livros não são iguais. Eu tento ter um pouco do mesmo e mudar tudo o resto. E isso é difícil.

Tendo tudo isso em conta, ainda gosta de escrever ou é só um trabalho?
Eu nunca gostei de escrever! É difícil, é um grande desafio. Há dois tipos de escrita: escrever o que gostamos e escrever o que as pessoas querem ler. A primeira é muito fácil, porque fazemos o que queremos e não nos importamos com os leitores. Mas se estamos sempre conscientes do que as pessoas querem ler então é muito mais difícil. Porque não basta escrever, temos que pensar, ponderar, reflectir, mudar, avaliar... Eu sempre fiz a segunda coisa, sempre pensei no que as pessoas querem ler. Os leitores não querem uma história de amor entre duas pessoas horríveis, entre um alcoólico que bate na mulher e uma stripper que abandonou os filhos. As pessoas não querem ler isso...

Mas queria escrever isso?
Não, mas era fácil escrever. Porque quando temos personagens com grandes falhas é possível fazer muito mais coisas.

Como é que conjuga a escrita com a família?
Felizmente todos os meus filhos estão na escola, altura em que aproveito para escrever. Eu acordo antes deles e faço exercício. Antes de irem para a escola estou um pouco com eles. Depois faço mais exercício, ponho a minha correspondência em dia e finalmente escrevo até eles regressarem a casa. Por volta das 15.00, vou para a pista: sou treinador da equipa de atletismo. Depois regresso a casa e fico com a minha família até me deitar.

Tem tempo para ler?
Sim, leio entre cem a 150 livros por ano. Dois a três livros por semana, em média. Metade são romances, normalmente dos grandes autores americanos porque gosto de os ler e a maioria são bastante bons, mas também alguma ficção internacional ou clássicos. A outra metade cai em três categorias: história, economia e biografia. Gosto de biografias de qualquer pessoa menos de celebridades. Agora estou a ler a do antigo imperador do Japão, Hirohito.

Já escreveu 15 livros. Os fãs têm que se preocupar com uma reforma para breve?
Não, ainda não. Acho que os escritores conseguem escrever com qualidade até aos 55 anos e eu ainda tenho 42. Devo continuar a escrever depois disso, mas não prometo que os livros sejam bons.

O Sorriso das Estrelas é o quarto livro a chegar ao grande ecrã. O que é que sente quando vê uma personagem que criou ser interpretada por estrelas como Richard Gere?
Eu adoro ver os filmes e fico feliz porque têm tido sucesso. Tenho tido muita sorte, porque são muito parecidos com os livros. Não há grandes mudanças, só adaptações. E já há mais três filmes a caminho. Juntos ao Luar está em gravações, Um Homem com Sorte acaba de ser vendido à Warner Brothers e o meu próximo livro já foi comprado pela Disney. Em média, os filmes rendem 100 milhões de dólares e custam 20 milhões. É uma forma excelente de fazer dinheiro...

O que é que torna os livros de sucesso em filmes de sucesso?
Os livros são fáceis de adaptar porque são histórias simples, há só duas grandes personagens, os cenários não são caros, não há efeitos especiais. Depois, os actores gostam de interpretar personagens que passam por uma viagem espiritual e que têm uma história interessante.

Quando escreve, alguma vez pensa no actor que poderia desempenhar o papel?
Não, nunca o faço. A história é sempre o mais importante.

E envolve-se no casting?
Não, no casting não, mas leio os guiões antes de começarem a filmar embora não tenha palavra quanto a alterações. É só uma cordialidade.

Já tinha estado em Portugal em 2003. O que acha dos leitores portugueses?
Eu regressei porque me diverti muito da primeira vez que aqui estive. Eu não vou a todo o lado, mas pedi para vir a Portugal. E não peço para ir a muitos lados... Agradeço a todos os leitores o apoio que me deram ao longo dos anos.

”Metade da America ama Obama, a outra não o suporta"

Os EUA fizeram história ao eleger o seu primeiro presidente negro. Como é que vê a eleição de Barack Obama?
Sempre achei que era claro que Barack Obama ia ganhar. Mas ainda não tenho uma opinião acerca dele. Porque temos o que os políticos dizem e o que os políticos fazem. E ele ainda não fez nada.

Acha que a América se apaixonou por Obama?
Metade da América está apaixonada por Obama, mas a outra metade não o suporta. A eleição foi muito renhida. Eu acho que a maioria dos presidentes governam desde o centro, por isso acho que ele está bem. Mas vamos ver.

Mas essa não era a sua escolha...
Não, mas eu também não votei John McCain, não sou republicano. Sou libertário, por isso votei num candidato que sabia que ia perder. O libertário é um partido muito pequeno, que já existe há anos. Tenho esperança que um dia seja um grande partido, mas provavelmente nunca será. Somos muito conservadores a nível fiscal e defendemos uma acção de Governo limitada, mas socialmente somos liberais.

Quem era o candidato?
Era Bob Barr. Ninguém o conhece e ninguém votou nele. Eu votei porque nos EUA, para ficarmos no boletim de voto na próxima eleição, temos que ter dois por cento dos votos. Eu não gostava nada do Bob Barr, mas tenho esperança de que na próxima eleição teremos um melhor candidato. Sou um libertário, discordo do Presidente Bush numa série de coisas, discordo do Obama num número de coisas.

Qual é o balanço que faz dos oito anos de presidência de George W. Bush?
Acho que vai ser preciso esperar para avaliar a presidência dele, porque tudo depende do que acontecer no Iraque. A história ainda não acabou. Se em 15 anos estiver estável e for uma democracia, penso que será uma presidência de sucesso. Mas se não for, se houver uma guerra civil, então não resultou. Só o tempo o dirá. Do ponto de vista externo, penso que ele criou muitas divisões. Houve muita hostilidade mundial para com Bush e penso que nessa área ele poderia ter feito algo diferente. Domesticamente, não foi diferente dos democratas: gastou como um louco. E para mim isso é muito mau. Eu defendo um Governo que seja conservador do ponto de vista fiscal. O Governo não pode resolver todos os problemas dos cidadãos.

Lembro que Nicholas Sparks apresentou este seu livro também em Portugal, no dia 14 de Novembro em Lisboa. Também deu uma entrevista na RFM ao final da tarde, (esta podem ver na totalidade no site da RFM: www.rfm.pt).

Espero que tenham gostado desta sugestão de leitura...
Este livro pode ser um bom presente de Natal...oferecendo a alguém que se gosta muito. Tendo em conta, que se estamos "numa época dificil" para os portugueses, a nível económico, este livro tem um preço acessível.

Até amanha com o guia semanal de Chaves.

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