sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sugestão de leitura...O Véu do Medo

Olá! Espero que a tua semana esteja a ser boa...
Quanto a mim, posso dizer que tem corrido bem...agora um pocuo mais ocupado, a preparar uns trabalhos para uma disciplina da Universidade e um frequencia que vou ter em breve...
É claro que não me podia esquecer de ti, de deixar algumas notícias aqui no blog, algumas notícias e sugestões.
A sugestão que vos apresento, é mais um livro. Pois como eu gosto de livros, especialmente aqueles que tem uma grande mensagem, que transmitem verdadeiros sentimentos ou realidades que se passam em todo o mundo.
O livro que vos apresento hoje, tem como título: O Véu do Medo de.. Este é mais um daqueles livro de histórias de mulheres que sofrem perante uma tradição que impera nos seus países, imposta pelo Homem. Essas mulheres não tem liberdade, independecia e mesmo alguns estudos.
As mulheres que se conseguem libertar desta "teia", depois de terem passado um martirio, vem para a Europa ou E.U.A. e aí juntam-se a outras pessoas e criam Movimentos para a defesa das mulheres, dos seus direitos e também para, se possível conseguir libertar mais mulheres dessa situação.




Síntese do livro:
"Tanto quanto me lembro, ouço a minha mãe repetir a propósito de tudo: «Que mal fiz eu ao bom Deus para merecer uma filha?». Esta frase tornara-se o seu queixume favorito. Doía-me ouvi-la.

(...)

Nascer do sexo feminino numa família muçulmana, e além de tudo argelina, orientara o meu destino nos primeiros momentos de vida.

(...)

— Mamã, porque não gostas de mim?

A minha mãe lançou-me um olhar de desprezo.

— Atreves-te a fazer-me essa pergunta! Como se não soubesses por que razão as mães preferem os rapazes às raparigas — respondeu-me ela, convicta da evidência da resposta.

(...)

— Bem vês, Samia, as mães não gostam de ter filhas, pois estas só trazem desonra e vergonha à família. As mães são obrigadas a alimentá-las e a velar pelo seu bom comportamento até ao dia em que o marido assuma o seu encargo. As raparigas são uma fonte constante de preocupações.

(...)



Nos países muçulmanos e de forma acentuada na minha família, ter um rapaz era uma bênção e, obviamente, o nascimento de uma rapariga uma maldição. A rapariga muçulmana nunca conhece a autonomia. Permanece, durante toda a vida, sob a responsabilidade de um homem. Depende primeiro do pai e depois do marido. Representa, portanto, um encargo para os pais. Esta maneirade proceder transmite-se de geração em geração, e a menina muçulmana acaba por considerar-se a si mesma uma maldição. Eu era, portanto, a maldição da família na qual ocupava o lugar central, entre dois irmãos mais velhos e dois irmãos mais novos.

(...)

O meu pai era um rico industrial que fizera fortuna nos têxteis e se interessava igualmente pela restauração.

Amina era a minha única amiga. Os pais de Amina também eram imigrantes de origem argelina, mas constituíam uma família pobre. O pai trabalhava na recolha do lixo.

(...)

— Mamã, por favor, conta-me o meu nascimento!

— Não há nada a contar. Foi o pior dia da minha vida! — respondeu ela, num tom irritado.

(...)

Num dia em que me encontrava em casa da minha amiga, o pai levou-lhe uma linda boneca de longos cabelos louros que encontrara num contentor de lixo. A minha amiga sentiu-se tão feliz que se precipitou nos braços do pai.

(...)

— Por que razão nunca recebo presentes do pai? Podia comprar-me alguns, para me dar prazer.

— Te dar prazer? E tu, alguma vez deste prazer ao teu pai?

— Sim! Porto-me bem e obedeço-lhe.

— Sabes o que daria realmente prazer ao teu pai?

— Não! Diz-me, por favor?

— Que tu nunca tivesses nascido — declarou a minha mãe, maldosa. Naquele dia, decidi pedir uma boneca ao meu pai.

(...)

Quando entrei na sala, o meu pai tinha os olhos fechados, e a minha mãe, ajoelhada, lavava-lhe os pés. Não era aquele o melhor momento para me aproximar, pois ele podia enfurecer-se e bater-me.Voltei para o quarto, a fim de lhe escrever o meu pedido: «Papá, gosto muito de ti e gostava de ter uma boneca. És o melhor pai do mundo!» Em seguida, fui esconder a minha missiva debaixo do seu travesseiro. Naquela noite, adormeci na esperança de que o meu pai me oferecesse a tão almejada boneca. Pouco depois, a minha mãe entrou bruscamente no quarto.

— Foste tu que escreveste este bilhete?

— Fui — respondi eu, meio adormecida.

— Que pretendes?

— Peço uma boneca.

— Esqueceste-te de que o teu pai não lê francês? Talvez a menina queira menosprezar o pai, agora que sabe escrever?

— Não, mamã. Julguei que o pai soubesse ler várias línguas.

(...)

Certa manhã, fui acordada pelos gritos de alegria dos meus irmãos. Levantei-me de um pulo e dirigi-me para a cozinha, de onde provinham as vozes. Numa grande excitação, anunciaram-me que iam inaugurar o novo restaurante do nosso pai. Como também queria estar presente, voltei para o meu quarto, a fim de me preparar.

— Que estás a fazer? — interpelou-me a minha mãe.

— Estou a vestir-me para ir ao restaurante.

— Não, tu não vais; só os rapazes têm esse direito.

(...)


Espero que tenhas gostado desta sugestão...
Boas leituras e umbom dia para Ti!!
Até breve....

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